Museu de Mértola Cláudio Torres | Basílica Paleocristã
17 de janeiro a 28 de junho de 2026
Nas palavras da autora “O Sorriso do Acanto combina prática artística e investigação, usando a criação como instrumento de reflexão sobre património, identidade, diversidade e diálogo intercultural. O projeto centra-se nas trocas culturais e na forma como significados e perceções se transformam ao longo do tempo. Ao acompanhar o motivo da folha de acanto em diferentes contextos e representações, questiono a sua idealização na arte ocidental. Desconstruindo este lugar-comum da História da Arte, convido a uma reflexão crítica e criativa que vai além da prática artística.
Durante o processo de criação e pesquisa, no qual privilegiei a subjetividade, foram surgindo múltiplos significados, muitas vezes dissimulados e contraditórios. Desde o início, senti uma certa tensão entre o meu percurso artístico – marcado pela cultura islâmico-portuguesa e pelo interesse nas culturas do Norte de África, Ásia Ocidental e Ásia – e o convite do Museu de Lisboa – Teatro Romano para criar uma obra (2024) a partir dos motivos vegetais da sua coleção. (…) O título O Sorriso do Acanto surgiu de uma passagem das Bucólias de Vergílio, em que o poeta descreve o acanto como sorridente. Essa imagem, que me intrigou profundamente na altura, veio a tornar-se a chave poética do projeto – um gesto de resposta do mundo natural à cultura, um eco de reciprocidade entre o humano e o vegetal. Embora, num primeiro momento, esse sorriso me parecesse irónico – como se a planta reagisse à própria idealização de que fora alvo -, nele encontrei a essência do trabalho: o espaço onde o espinho e a curva coexistem.
Em 2025, o projeto entrou numa nova fase, com a criação de uma peça inspirada no espólio arqueológico de Mértola e a instalação de todo o trabalho na basílica Paleocristã do Museu de Mértola Cláudio Torres. Esta cidade portuária, com uma história singular de intercâmbio cultural e comercial, revela influências norte-americanas, gregas, bizantinas e islâmica. Nesta etapa mais serena, percebi que, para compreender melhor a cultura mediterrânica antiga, talvez fosse necessário sair dela”.
Visite-nos na Basílica Paleocristã!
Sobre Sara Domingos (Lisboa, 1973) – Desenvolve uma prática artística na linha de fronteira entre as artes plásticas, gráficas e têxteis, com foco no diálogo entre culturas. Foi distinguida com o Prémio Barzakh – Ibn’Arabi 2020/21 (MIAS Latina, Murcia), pela sua trajetória artística marcada por referências árabes e islâmicas. Tem exposto regularmente e colaborado com instituições como o Museu de Mértola Cláudio Torres, o Museu Calouste Gulbenkian, o Centro de Estudos Luso Árabes de Silves, o Museu de Lisboa – Teatro Romano, o Museu Municipal de Faro, e o Museu de Arte Islâmica do Pergamon (Berlim), no âmbito do projeto Culturalxocollabs – Weaving the Future. A sua obra tem sido divulgada em publicações como Jornal de Letras, Al-Irfan (Instituto de Estudos Hispano-Lusos da Universidade Mohammed V, Rabat), AramcoWorld Magazine e Boletim do ICOM Portugal. Entre os seus projetos mais recente, destacam-se Bordar o Sereno, com a participação de mulheres migrantes (parceria com o Conselho Português para os Refugiados) e O Sorriso do Acanto, centrado no diálogo intercultural no universo mediterrânico (parceria com a cátedra UNESCO – Etnobotânica, Politécnico de Beja).





