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Cláudio Torres: A Museologia não se Discute, Pratica-se!

O número 5 da Revista de Museus, editada em abril de 2026, comemora os 50 anos de liberdade e democracia nos museus. A edição, coordenada por Clara Frayão Camacho, centra-se no novo olhar sobre as políticas públicas para museus em Portugal possibilitadas pela democracia, baseado numa análise crítica e na conhecida Missão UNESCO, liderada por Per-Uno Ágren, que decorreu entre 1976 e 1979.

No que se relaciona com Cláudio Torres, refere que associa “a museologia e a investigação ao alargamento do espectro patrimonial e ao desenvolvimento de territórios afastados do litoral. Um olhar revolucionário sobre o Alentejo interior é o mote do artigo de Miguel Rego, Cláudio Torres: A Museologia não se Discute, Pratica-se! Com o território de Mértola no centro de um amplo processo de construção histórica, marcado pela abertura à presença islâmica e pela centralidade da exposição como justificação do projeto científico junto da comunidade, o trabalho singular de Cláudio Torres no Museu de Mértola demonstra as potencialidades de transformação territorial e de desenvolvimento local ancoradas no património e no Museu”.                                    

Para Miguel Rego, “descontadas as dificuldades, neste interior alentejano, a realidade associada ao complexo  museográfico é o resultado de um processo iniciado em 1978, sob a orientação e inspiração de Cláudio Torres que, por entre as mais diversas vicissitudes, foi construindo um projeto na área do património cultural e paisagístico, que é uma imagem de marca incontornável quando se enumeram projetos do ‘Portugal profundo’ em torno da salvaguarda, dignificação, exposição e estuda da memória e da identidade.

“Irrompendo para lá do recinto amuralhado do centro histórico – porque o projeto de Cláudio Torres não se sentou na tão confortável cadeira da beleza, história e ambiência que a vila velha de Mértola oferecia -, o conjunto de museus de Mértola assume neste contexto um papel essencial na identificação do ‘projeto científico e cultural’. Mas igualmente no desenvolvimento de um sentimento de pertença da comunidade ao seu território e na valorização da malha urbana. Pormenor de não somenos importância, entendido hoje como vetor fundamental da vida económica do concelho, enquanto polo de atração de milhares de turistas.

(…) Em todos os projetos museológicos em que intervém, Cláudio Torres é não só o museólogo, tantas vezes etiquetado de agitprop, mas também o arquiteto, o designer, o fotógrafo, o produtor de conteúdos. E com isto, trouxe à museologia do pós-25 de abril de 1974 o conceito de que ‘é possível’. É possível a investigação e a sua apresentação ao cidadão simples; a valorização e a dignificação da identidade de cada sítio através da promoção da especificidade local; a adaptação do fazer aos recursos disponíveis.

O professor universitário que a Faculdade de Letras de Lisboa dispensou por questões ‘burocráticas’ trouxe para a museologia uma metodologia de intervenção que carrega o projeto até ao século XXI, numa espécie de diálogo constantes entre a equipa científica, os agentes e as entidades locais e a comunidade. E aí, o palco de excelência de valorização do trabalho desenvolvido é, indubitavelmente, o Museu. E o discurso museológico, como muitas vezes dizia, não se discute: pratica-se!”.

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